UMA FIGURA DO
PASSADO
Não me lembro quando o
conheci, acho que desde sempre. Cresci vendo-o sempre por perto.
Ele fazia pequenos serviços em nossa chácara.
Era um negro, cabelos desgrenhados (mal cobertos por um chapéu imenso), fala mansa, e pés rachados.
Era parte da paisagem e se encaixava perfeitamente a tudo que nos rodeava, à realidade que nós vivíamos.
Ele falava o nome de meu pai de uma forma que nunca na vida ouvi alguém dizer. Penso até que o considerava o seu “deus”.
Havia tamanha ternura no trato conosco naquele homem que chegava a emocionar.
Outras crianças até o temiam pelo aspecto estranho e nós o amávamos tanto.
Meu pai dizia conhecer parte de seu passado e nos contava que ele antes morava na capital do estado; era formado, tinha um bom emprego e uma esposa que amava.
Um dia lhe aconteceu alguma coisa muito grave e ele abandonou tudo e passou a viver daquela forma.
Parecia sentir prazer em andar esfarrapado e quando minha mãe lhe oferecia um calçado para os pés tão judiados ele recusava a oferta de forma definitiva.
Seus olhos possuíam uma doçura especial e sua voz suave ficou gravada em minha alma.
Depois que nos mudamos da chácara onde morávamos passamos a vê-lo mais espaçadamente, mas ele não deixava de nos visitar sempre que podia.
Um dia soubemos de sua morte e senti um vazio no peito.
Gostaria muito de ter talento para a pintura e pintá-lo de memória, porque ele possuía qualquer coisa que as palavras não explicam. Mesmo assim tento passar aqui um pouco do que me ficou desta estranha figura que marcou minha vida.
Sinto saudade de vê-lo acocorado nos falando. Tirando o chapéu respeitosamente naquele jeito tão seu. Dói-me a recordação... não sei porque, mas dói.
Em seus olhos eu imaginava ver sempre passar uma pequena nuvem de tristeza.
Sinto saudade dele sim, e penso que de certo modo nós conseguimos, com pequenos gestos de carinho colocar um pouco de encanto em sua vida. Meu pai, que amava a todos incondicionalmente, proporcionou pequenas alegrias àquele homem. Se sua vida era triste penso que nós colocamos um pouco de cor nela.
Talvez tenhamos conseguido amenizar a dor do seu caminho de pedras.
Ele fazia pequenos serviços em nossa chácara.
Era um negro, cabelos desgrenhados (mal cobertos por um chapéu imenso), fala mansa, e pés rachados.
Era parte da paisagem e se encaixava perfeitamente a tudo que nos rodeava, à realidade que nós vivíamos.
Ele falava o nome de meu pai de uma forma que nunca na vida ouvi alguém dizer. Penso até que o considerava o seu “deus”.
Havia tamanha ternura no trato conosco naquele homem que chegava a emocionar.
Outras crianças até o temiam pelo aspecto estranho e nós o amávamos tanto.
Meu pai dizia conhecer parte de seu passado e nos contava que ele antes morava na capital do estado; era formado, tinha um bom emprego e uma esposa que amava.
Um dia lhe aconteceu alguma coisa muito grave e ele abandonou tudo e passou a viver daquela forma.
Parecia sentir prazer em andar esfarrapado e quando minha mãe lhe oferecia um calçado para os pés tão judiados ele recusava a oferta de forma definitiva.
Seus olhos possuíam uma doçura especial e sua voz suave ficou gravada em minha alma.
Depois que nos mudamos da chácara onde morávamos passamos a vê-lo mais espaçadamente, mas ele não deixava de nos visitar sempre que podia.
Um dia soubemos de sua morte e senti um vazio no peito.
Gostaria muito de ter talento para a pintura e pintá-lo de memória, porque ele possuía qualquer coisa que as palavras não explicam. Mesmo assim tento passar aqui um pouco do que me ficou desta estranha figura que marcou minha vida.
Sinto saudade de vê-lo acocorado nos falando. Tirando o chapéu respeitosamente naquele jeito tão seu. Dói-me a recordação... não sei porque, mas dói.
Em seus olhos eu imaginava ver sempre passar uma pequena nuvem de tristeza.
Sinto saudade dele sim, e penso que de certo modo nós conseguimos, com pequenos gestos de carinho colocar um pouco de encanto em sua vida. Meu pai, que amava a todos incondicionalmente, proporcionou pequenas alegrias àquele homem. Se sua vida era triste penso que nós colocamos um pouco de cor nela.
Talvez tenhamos conseguido amenizar a dor do seu caminho de pedras.
sonia delsin

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