quarta-feira, 28 de maio de 2014



O TICO-TICO

Quando ouço o canto do tico-tico recordo tempos antigos.
Antigos demais.
Recordo-me de quando em criança eu ia olhar os ninhos.
Lembro-me que contava os ovinhos manchadinhos.
Ia todo o dia olhar e ficava revoltada quando via que os chupins se instalavam nos ninhos dos pobres.
Eram como essas pessoas intrusas que entram na vida das pessoas sem pedir licença.
Já naquele tempo, inocente como era, eu adivinhava que aquilo não era o certo.
Sentia vontade de destruir os ovos dos chupins.
Mas não tinha coragem.
Sabia que havia ali uma vida.
E toda a vida tem o direito de ser vivida.
Mesmo a vida de quem tenta usufruir os direitos dos outros.
Ouço o canto delicado do tico-tico e recordo tempos bons.
Bons demais para serem esquecidos.
Gosto do canto do sabiá, do canário, de tantos outros.
Mas o canto do tico-tico é algo doce demais na minha vida.
É especial.
Há um tico-tico na redondeza e ele tem vindo cantar no meu jardim.
Ele tem me trazido uma alegria tão grande.
É como se eu tivesse resgatando tempos antigos.
Sinto vontade de tê-lo sempre por perto.
Porque é tão bom ouvi-lo.
Parece que estou em outro tempo.
Um tempo de uma menina que amava demais a terra.
Uma menina que vivia só de fantasias.
Essa menina que eu nunca deixei morrer dentro de mim.


sonia delsin

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