quarta-feira, 28 de maio de 2014



O ABSURDO ACONTECE


Dias atrás me contaram uma estória absurda e ela me fez recordar de uma outra ainda mais absurda.
Bem, conto primeiro esta que ouvi por estes dias.
Foi a filha do casal que viveu este episódio que a contou. Cada pessoa que conta um conto aumenta um ponto, mas foi mais ou menos assim:
Os pais tinham uma moto e andavam com ela por uma estrada de terra. No caminho ele perdeu a esposa e nem percebeu. Seguiu em frente por um grande trecho sozinho, até que um obstáculo no meio do caminho o derrubou também. Olhou para todo lado e não viu a mulher em lugar algum. Resolveu voltar atrás e a encontrou chorando.
Perguntou se estava machucada e ela disse não estar machucada, mas magoada porque ele nem notara que ela havia caído.
Pensei que no mínimo ela não o abraçava pela cintura como habitualmente as pessoas fazem quando andam de carona numa condução de duas rodas.
A outra estória que vou contar é tão absurda que nem parece ser verdadeira, mas é.
Tivemos um vizinho há alguns anos que todos os dias levava com o seu “Fuscão” a esposa até o local de trabalho.
Era como se fosse um ritual. Sempre no mesmo horário ela abria o portão, aguardava que ele saísse da garagem, fechava o portão e entrava no carro.
Eles não se falavam e, eu sentada na mureta da varanda os observava.
Eles nem se olhavam também.
Muito empertigada ela se sentava ao seu lado e lá iam os dois.
Eu ficava intrigada com aquele casal. Achava-os tão frios um com o outro.
Eles não tiveram filhos e eu me perguntava se a razão deles serem tão fechados seria esta. Os filhos alegram o lar, fazem o casal conversar, une-os mais.
Eu ficava pensando se dentro de casa eles se falavam, trocavam idéias, beijos, carícias. Afinal para se viver junto é necessário que alguma coisa exista entre duas pessoas.
Mas não sei ao certo como se relacionavam e também nunca ouvi sons de música vindo daquela casa, nem uma discussão. Era uma casa envolta em silêncio.
Dela exalava um ambiente gélido.
Um dia fiquei sabendo e de fonte mais que segura de um fato que ocorreu com este referido casal.
Ele simplesmente a esqueceu em casa. Verdade! Quando ele chegou em frente ao local onde ela trabalhava notou que ela não o acompanhava.
Ela voltou para buscar alguma coisa que havia esquecido dentro de casa e ele se foi sem que ela ainda tivesse entrado no veículo.
Percorreu aquela distância toda (eu acredito que uns dois mil metros ou mais) e nem notou que a esposa não o acompanhava!
Esta estória pode parecer absurda, mas é verdadeira mesmo.
Hoje, este senhor já é falecido e soube que a viúva chorou muito a sua morte.
Cada vez me convenço mais de que debaixo do sol acontecem coisas que a nossa compreensão não alcança.

sonia delsin

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