quarta-feira, 28 de maio de 2014



UM CASAL DE VELHINHOS

Caminhando pelas ruas da cidade eu vi uma cena que tocou fundo no meu coração.
Num andar lento, próprio das pessoas idosas vinha um casal de velhinhos.
De mãos dadas, caminhando.
Notei que nos olhos deles havia uma luz. Uma luz que está sempre nos olhos dos apaixonados.
Pensei, fantasiei e imaginei.
Aqueles dois velhinhos poderiam ter atravessado a vida juntos, sempre eternamente apaixonados.
Que amor tão grande é esse que faz duas pessoas viverem juntas uma vida e conservar o amor da juventude?
Na maneira deles se olharem e conversarem, eu vi todo o amor que sentiam um pelo outro.
Era algo emocionante de se ver.
Fiquei imaginando tantas histórias para eles.
Pensei que pudessem até ter se conhecido há pouco tempo. Serem viúvos e terem reencontrado o amor.
Pensei que pudessem ser apenas dois namorados.
Mas de tudo que imaginei sempre vi o amor no meio de tudo.
Os dois têm uma capacidade intensa de amar, porque o brilho que eu notei nos olhos deles é um brilho inédito. Algo sublime...
...Quase impossível. Imaterial.
Fiquei emocionada com a cena porque notei que os dois estavam tão compenetrados neles mesmos que nem se importavam com os transeuntes.
Eles estavam no mundinho deles e se completavam.
Os cabelos tão branquinhos. A pele toda enrugada. Mãos envelhecidas, mas unidas. Unidas num aperto forte.
Notei que eram tão fortes na fragilidade da velhice.
Esta vai sempre ser uma lembrança de algo que me emocionou.


sonia delsin

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