quarta-feira, 28 de maio de 2014



O AMANHECER


Bem cedo já estou de pé.
Não posso perder o espetáculo do sol nascendo.
Não posso ignorar os pássaros que saúdam uma nova manhã.
Não posso deixar de ver o orvalho sobre as flores.
E perder esta brisa fresca.
Quando menina eu adorava acordar bem cedo.
Adorava caminhar descalça e explorar minha terra.
Os cafezais quando floriam... noivas com seus véus a arrastar me lembravam.
As jabuticabeiras... aquele perfume doce das flores... as abelhas. O zunzum.
Os bambuzais rangendo choravam e riam. Quando estava melancólica achava que choravam.
E outras horas... eram ecos das risadas de minha alma.
Os animais me saudavam a cada manhã.
O rancho estava lá a me esperar. Era o meu palco. Nos meus sonhos... quantos papéis a representar.
Bom dia, Dona Tico-tico. Já explorei o seu ninho.
Garoto, seu maroto! Que pelo luzidio... Existirá um céu para os cães?... Se existir, sua alma mora nele.
Avozinha querida, tão frágil, tão forte! As lembranças... a tosse a castigava e é assim que mais me lembro de você.
Terra que amei, porque lá nasci e me criei. Em meio à natureza fui como os bichos que viviam por lá.
Borboletas azuis... quantas! Também fui borboleta...
E irrequieta como os cabritos novos.
Participei ativamente de tudo que me rodeava porque amava cada pedacinho daquele lugar.
Era tão bom acordar ouvindo o galo cantar, o cacarejar das galinhas. As cabras a balir...
Que festa elas faziam para a noninha quando chegava com o capim!
Aquelas manhãs se foram. Morreram no ontem.
As de hoje tem o brilho de outro lugar, de outro tempo.
Ainda a saúdo porque amo cada amanhecer.

sonia delsin

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