quarta-feira, 28 de maio de 2014



LONGE É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE


Tenho por tantos anos guardado em minha estante o livro de Richard Bach “Longe é um lugar que não existe”.
Li-o e depois guardei. Esqueci-me dele por todo este tempo.
Alguém me fez lembrar dele por estes dias quando o citou e o reli.
Realmente não existe distância para quem ama, para quem acredita que pode estar onde o pensamento quiser ir.
Pensei no meu paizinho querido que não se encontra mais entre nós. Eu o sinto tão próximo de meu coração. Basta fechar os olhos e pensar nele que o sinto ao meu lado, tocando-me suavemente, beijando-me. Olhando-me com aqueles olhos que se cravaram como pregos em minha alma. Aqueles olhos doloridos que me buscavam onde quer que eu fosse.
E em tantas pessoas que amo, pessoas que não vejo com os olhos físicos há dias, meses, anos. Pensei em todos meus mortos queridos que para mim nunca morreram, nem devem morrer dentro de mim.
Pensei na minha terra que deixo todos os dias um pouco e mesmo assim não se acaba dentro de mim. Pensei nas pessoas que me viram criança, que não me vêem como mulher e ainda pensam em mim como se eu fosse a menininha daqueles tempos.
Também pensei nos amigos de todos os tempos, aqueles que entraram em minha vida, tatuaram minha alma com gestos e palavras de afeto.
Recordo rostos que significaram tanto para mim. Não os vejo diante de meus olhos. Vejo-os com o coração que os guarda carinhosamente como tesouros que foram e são.
Pensei nos parentes que de uma forma ou outra ligaram suas vidas a minha. Alguns tão e tão queridos...
É tão bom saber que os visito a hora que desejo, para isto basta desejar, e já estou lá.
E o passado já distante que guardamos dentro de nós e que para ele temos acesso livre, basta querermos.
Sou um ser alado, que bom! Vou onde quero, fico o tempo que eu mesma estipulo.
Neste tempo não existem cobranças, atritos de opiniões. Tudo é tão perfeito.
O que é distância e tempo quando existe amor?

sonia delsin

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